4 comentários:
De venhammaiscinco a 7 de Fevereiro de 2007 às 12:43
Em Democracia, todos temos o direito (apetecia-me dizer ‘o dever de...’) a assumir uma opinião. Como tal, considero tão respeitáveis e válidas as opiniões pelo SIM à despenalização da IVG, como aquelas que, de uma forma coerente e responsável, se batem pelo NÃO.

No entanto, parece-me também que, essa mesma e nem sempre bem tratada democracia, exige que, ao defendermos essa dita opinião, assumamos, em simultâneo, e na totalidade, as consequências da mesma. E é aqui que a firmeza de alguns ‘NÃOs’ começa a vacilar...

Ao defender o SIM, no referendo sobre a despenalização da IVG, assumo sem preconceitos que estou a dizer que as mulheres que decidem interromper a gravidez até às 10 semanas (qualquer que seja a causa dessa opção), não devem ser, de modo algum, penalizadas por isso. Estou também a assumir que essa interrupção pode (apetece-me de novo dizer ‘deve’) ser realizada numa unidade do Serviço Nacional de Saúde (desde que esse seja o desejo da mulher), em perfeitas condições higiénico-sanitárias. Ao assumir isto, autorizo, com certeza, que uma parte dos meus impostos seja gasta para garantir a dignidade das mulheres e resolver um problema premente de saúde pública. Mas assumo também que estou a dar prevalência ao valor da maternidade responsável e desejada, relativamente a um embrião em estágio muito precoce do seu desenvolvimento. Mas se lhe quiserem chamar uma forma de vida, então eu também assumo, de novo sem preconceitos, que privilegio a vida numa forma mais ampla, mais completa, recheada de afectos, sem culpas e sem traumas. Mesmo que aumentem o dramatismo da situação e acrescentem um coração a bater, eu continuo, sem remorsos, a considerar também os outros corações e a afirmar que um coração sem afecto, pode bater, mas não VIVE.

Era esta frontalidade que eu gostaria de ver nos defensores do ‘Não’. Mas, na maioria das intervenções ela não só está ausente, como o que emerge é uma hipocrisia beata, que se quer fazer passar por benfeitora.

Ainda não percebi muito bem: os defensores do ‘Não’, não querem ver as mulheres na cadeia (é uma coisa feia, que não fica nada bem defender...), mas também não querem que se altere a lei?!... Estranho?! Pois..., mas, na cabeça desta gente, não é incompatível... Então o que defendem é assim uma coisa meio cinzenta (e ilegal, já agora), em que a lei – no papel - penaliza (para preservar as nossas consciências, é sempre bom), sujeitando as mulheres a uma pena até 3 anos de prisão, mas depois, nos tribunais – isto é, na prática – deverão existir uns juízes muito bonzinhos, que fecham os olhos à lei, e, de forma caridosa (e se possível deixando uns bons conselhos para orientar a vida dessa mulher perdida), dizem que, afinal, era só para assustar. E, pronto!, depois deste final feliz, as nossas consciências podem de novo dormir descansadas!

Então a estes eu digo: as mulheres (porque assumem os seus deveres) querem ter direitos, não querem caridade!

Caros defensores do ‘Não’, assumam com coerência as vossas legítimas opiniões. Tenham coragem de dizer que para vocês a vida de um embrião é tão relevante, que justifica que uma mulher que interrompe uma gravidez seja julgada em tribunal e cumpra uma pena de prisão, que pode ir até 3 anos!

Eu sei que as vossas consciências não ficarão tão tranquilas, mas, pelo menos, merecerão mais respeito.

Mafalda Carvalho


De Sancha a 8 de Fevereiro de 2007 às 00:15
Olá mafalda, agradecida pelo comentário.
Pareceu-me um comentário generallista dos que assumem o SIM, não falaste em modulos pessoais. Eu respeito a tua opinião ainda que diferente da minha, tem alguns pontos com os quais eu concordo e não é por eu defender o Não que deixo de compreender alguns pontos do Sim. No entanto o meu post é totalmente escrito com a minha opinião pessoal e nada tem de generalista do NÂO, escrevi o que sinto em relação ao aborto.
As mulheres querem direitos e eu como mulher digo que as mulheres (e homens) têm direitos e deveres, não falamos só de direitos...temos o direito á escolha e o dever de assumir com responsabilidade os resultados. Portanto a mulher decide se quer correr o risco de engravidar e depois tem o dever de se responsabilizar pela sua escolha...
Este é que devia ser o direito, não é andar desleixada com a sexualidade e depois se engravidar ter o direito a matar a criança. Sei que estas palavras são duras mas são a verdade nua...


De Xana a 16 de Março de 2007 às 11:30
Quem fala é uma rapariga de 29 anos que foi mãe aos 16, é realmente bonito e politicamente correcto dizer-mos que a mulher tomou a opção de correr o risco de engravidar e que tem que ser responsável por isso, mas n ão nos podemos esquecer de toda uma retaguarda social que leva a este tipo de situações, por outro lado nem todos os métodos contraceptivos são totalmente eficazes na prevenção da gravidez.
Eu por exemplo fiz uso do preservativo, até pq previne tb doenças sexualmente transmissíveis , no entanto o método falhou, o preservativo rompeu, e o que fazer se naquela época a pílula do dia seguinte ainda n ão havia chegado a Portugal??

Não me arrependo nem por um minuto de ter optado pelo nascimento da minha filha, mas eu tive o apoio incondicional dos meus pais, que nunca puseram em causa se eu tinha capacidades ou n ão para criar uma criança, e assumiriam se necessário a minha filha como filha deles. No entanto todos n ós sabemos que existem famílias que n procedem dessa forma, simplesmente colocam as filhas grávidas na rua, sem lhes darem qualquer tipo de apoio, à mercê da cruel sociedade.
E depois temos crianças como a pequena Vanessa do Porto, a Angélica no Algarve, a Fátima, e tantas outras crianças, que já nasceram, já viram a luz do sol e agora estão, algumas sete palmos abaixo do chão e outras a lutar pela vida e com sequelas que sempre as vão lembrar das sevicias de que foram vitimas. E agora pergunto eu, será que se fosse legal o aborto estas crianças teriam sofrido, a espécie de vingança que os pais e familiares fizeram contra elas? Quem deseja um filho ama e cuida, logo na minha modesta opinião, o problema da violência infantil encontra-se um pouco mais atrás . Lá onde alguns defendem que existe um ser vivo.
Por outro lado, se vivemos em democracia e defendemos o "Não" estamos a limitar à partida a opção democrática das outras pessoas.
Eu defendi sempre o "Sim" apenas pq n ão me sinto no direirto de mandar na barriga das outras mulheres, pq devido à minha experiência entendo que em muitas situações, a gravidez n ão tem um final feliz como a minha teve.


De Sancha a 17 de Março de 2007 às 11:25
Grata Xana pelo comentário, só quero esclarecer que a minha posição não depende de ser bonito ou politicamente correcto dizer sim ou não...A minha posição vem do sentimento saido de dentro de mim,é sei que não há ametodos 100% eficazes mas são 99.99% e por isso acho que a posição do sim não deveriria ter essa justificação porque é raro acontecer o que aconteceu contigo, as gravidezes na esmagadora maioria acontece por desleixo, esta é a verdade, o que não quer dizer que é mentira que o preservativo se pode romper ou que a pilula não tenha actuado ou que o DIU se tenha deslocado etc. mas esses são os casos raros, e eu não vou defender uma causa de 1/1000 .
Penso que deviamos apostar na educação e na prevenção.
Este tema é complexo, não posso estar só do lado do não porque existem situações que me levam para o sim, mas encontro muitos mais motivos para ser do não...mas isso agora pouco importa...
Vanessas e Fátimas e ....nunca hão-de acabar, existirá sempre gente sem escrupulos, sem coração, sem nada!!!
Beijinhos e parabens pela fihota.


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